quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao alto e avante/ fugindo da realidade

Certo dia, eu e uma amiga (o nome dela é Karol) combinamos de sair. Não nós víamos a anos e nem sabíamos pra onde ir,então saímos por aí a toa.
Fomos numa lanchonete, que ficava perto de um centro cultural, onde eu fazia aulas de teatro. Estávamos indo embora, quando vi o centro aberto e tive a "idéia genial" de passar por lá.
Quando entramos, vi o centro igualzinho ao dia da peça, que fora realizada na semana anterior, tinha gente entrando e saindo de lá o tempo todo. Comecei a andar por lá e admirar tudo, a garota estranhou e disse que parecia que eu estava vendo ouro ou coisa do tipo pra estar tão maravilhada, discordei e do nada, comecei a contar toda a peça pra ela, interpretei os personagens, imaginei o cenário, enfim, vivi a peça; nem havia percebido, mas havia uma rodinha de pessoas me observando e rindo, não sei se estavam rindo da minha cara ou da peça que realmente era engraçadíssima; não pensei em outra coisa, só disse obrigada e me retirei da roda, quando olhei para o lado, a Karol não estava lá, nem na roda, me desesperei e comecei a gritar o nome dela e correr por lá como uma louca, rondei o centro quase inteiro, até que bato com a cabeça de uma menininha, ela me pergunta o que eu estava fazendo lá, pois era dia de recolhimento, nem pensei e disse que não estava fazendo nada, olho bem e reconheço a menina, que era uma vizinha minha, que tinha cerca de 9 anos, pergunto "Nayara?", ela franze as sobrancelhas e pergunta de onde eu conheço ela, digo que sou a vizinha dela e a conheço a anos e, de repente, aparece um macaco do lado dela, não era um macaco de verdade, parecia um urso de macaco, mas com vida. Ela olha pra mim com estranheza e, como se estivesse blefando, disse que se lembrava pouco de mim, eu perguntei se ela tinha visto a Karol e a descrevo, ela disse que não e foi embora.
Sigo a procura da Karol sem olhar pra trás, procuro, procuro, procuro e nada.
Já estava perdida, quando olhei para janela, vi a Karol lá acenando pra mim que nem tonta, não me contive e comecei a rir. A menina parecia que tava drogada, perguntei onde ela tinha se metido, ela disse que havia fugido da realidade, ri mais, não pude segurar, ela começou a rir também, disse que estava interpretando, ainda bem, pois achava que ela estava drogada mesmo.
Não demorou muito até percebermos que estávamos perdidas, foi quando a graça deu lugar ao desespero. Não sei se era coisa da minha imaginação, mas ouvi vozes sussurrando, começamos a correr. O dia estava lindo e quando começamos a correr nem ligamos pro fato de estarmos perdidas e começamos a apostar corrida, até que eu tropecei numa pedra e cai de cabeça no chão, onde havia uma poça d'água, a água era amarela e tinha um odor terrível, parecia que era urina, levantei no mesmo instante morrendo de nojo e gritei que aquilo era xixi e ouvimos uma voz estranha dizendo que era pra eu lavar o rosto imediatamente, senão, em dois dias, ele ficaria todo enrugado, a Karol, pra tirar uma onda com minha cara, disse que quem diria que xixi dava rugas e me chamou de vovó, entrei na brincadeira e comecei a imitar uma idosa.
Andamos um pouco até acharmos uma caixa de água, a água parecia estar suja, mas fazer o quê, já tava perdida, o pior que poderia acontecer agora era virar vovó. Lavei o rosto, mas o odor do suposto "xixi" não havia saído do meu cabelo. Saímos correndo, quando encontramos um garoto estranho, ele apareceu na nossa frente de repente e tomamos o maior susto, o rosto dele estava todo enrugado e cheio de cicatrizes, ele disse oi, nós respondemos assustadas eloquentementente "Oii". Ele disse pra não termos medo, se aproximou e estendeu a mão, se apresentando, disse que seu nome era Odinal e estava preso ali há anos, ele perguntou a nós se estávamos presas também, respondemos que estávamos apenas perdidas, ele riu e disse com um sarcástico prazer "ah, novatas", nos entreolhamos, encarei pra ele e disse que não somos novatas, só estávamos perdidas por lá e logo iremos embora, ele sorriu e disse que apreciava nossa esperança e persistência. Saquei a batalha verbal que ele havia proposto, entrei na onda e respondi que a esperança é a última que morre, ele encarou e respondeu que ele não estava disposto a uma discussão, que poderia nos ajudar, mas preferia não se intrometer com pessoas resmungonas. Resmungona, eu? Isso foi um insulto, ele começou a andar pra trás e gritei pra esperar, ele voltou, dissemos que precisamos sair de lá e queríamos ajuda, ele disse que tudo bem e ficou olhando pra gente como se fôssemos retardadas, perguntei o que deveríamos fazer agora, ele disse pra ajoelharmos e rezarmos, fiquei brava e comecei a reclamar, disse que ele não poderia nos ajudar nada, e o xinguei de cretino e tudo que foi nome, ele continua nos olhando e, como se tivessse lendo minha mente, perguntou se eu estava desafiando ele, disse que sim, que ele não sabia mesmo sair daquele lugar, ele disse pra eu me acalmar, gritei e disse pra ele nos ajudar a sair daquele lugar logo, pois não agüentava mais, ele disse para seguirmos ele, desconfiei, mas não tinha pra onde ir nem o que fazer, então seguimos.
Ele nos levou até um quarto e disse para pularmos da janela, olhamos a janela e a altura era demais, reclamei de novo, dei a louca, disse que se pularmos dalí, iríamos morrer, que tinha xixi no meu cabelo, um calo no meio da testa e tinha lavado o rosto com água suja, ele disse calmamente que a água da caixa vinha do esgoto e vários animais faziam suas necessidades ali, o encarei com raiva e ele disse pra olhar pra cara dele, cheia de rugas, ele também havia tropeçado naquela pedra e caído de cabeça na poça, e o que tinha ali não era xixi e sim uma poção mágica que foi derramada por uma feiticeira que morava lá, quem pisasse na pedra estava condenado a virar manco e quem caísse de cabeça na poção ficaria co rugas. As rugas e o pé manco eram da própria feiticeira, ele explicou. Me senti mau e me desculpei, ele disse que tudo bem, que já estava acostumado com esse tipo de tratamento, e disse para pularmos logo e não olharmos para trás, "Ao alto e avante!", respirei fundo, fechei os olhos e pulei, Karol pulou em seguida.
Abri os olhos devagar e vi Karol do meu lado, estávamos inteiras, não morremos e comemoramos. Até que nos lembramos do Odinal, a Karol disse para subirmos e tentar salvá-lo concordei. Estávamos subindo o prédio, quando ouvimos umas risadas horríveis, ficamos com medo, não estávamos nem na metade do prédio e pulamos de novo, quando chegamos ao chão, aparece minha vizinha novamente com o macaquinho dela, ela nos parabeniza e diz para corremos, não tinha entendido e perguntei por que ela estava nos parabenizando, ela só gritou para corrermos e sumiu da nossa frente estranhamente. Não pensamos muito e começamos a correr, "Ao alto e avante!", gritamos.
É cada louco que nos aparece, não é?
escrito por: Juliana Santos Alves
 

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