
Certo dia, eu e uma amiga (o nome dela
é Karol) combinamos de sair. Não nós víamos a anos e nem sabíamos pra onde
ir,então saímos por aí a toa.
Fomos numa lanchonete, que ficava
perto de um centro cultural, onde eu fazia aulas de teatro. Estávamos indo
embora, quando vi o centro aberto e tive a "idéia genial" de passar
por lá.
Quando entramos, vi o centro
igualzinho ao dia da peça, que fora realizada na semana anterior, tinha gente
entrando e saindo de lá o tempo todo. Comecei a andar por lá e admirar tudo, a
garota estranhou e disse que parecia que eu estava vendo ouro ou coisa do tipo
pra estar tão maravilhada, discordei e do nada, comecei a contar toda a peça
pra ela, interpretei os personagens, imaginei o cenário, enfim, vivi a peça;
nem havia percebido, mas havia uma rodinha de pessoas me observando e rindo,
não sei se estavam rindo da minha cara ou da peça que realmente era
engraçadíssima; não pensei em outra coisa, só disse obrigada e me retirei da
roda, quando olhei para o lado, a Karol não estava lá, nem na roda, me desesperei
e comecei a gritar o nome dela e correr por lá como uma louca, rondei o centro
quase inteiro, até que bato com a cabeça de uma menininha, ela me pergunta o
que eu estava fazendo lá, pois era dia de recolhimento, nem pensei e disse que
não estava fazendo nada, olho bem e reconheço a menina, que era uma vizinha
minha, que tinha cerca de 9 anos, pergunto "Nayara?", ela franze as sobrancelhas
e pergunta de onde eu conheço ela, digo que sou a vizinha dela e a conheço a
anos e, de repente, aparece um macaco do lado dela, não era um macaco de
verdade, parecia um urso de macaco, mas com vida. Ela olha pra mim com
estranheza e, como se estivesse blefando, disse que se lembrava pouco de mim,
eu perguntei se ela tinha visto a Karol e a descrevo, ela disse que não e foi
embora.
Sigo a procura da Karol sem olhar pra
trás, procuro, procuro, procuro e nada.
Já estava perdida, quando olhei para
janela, vi a Karol lá acenando pra mim que nem tonta, não me contive e comecei
a rir. A menina parecia que tava drogada, perguntei onde ela tinha se
metido, ela disse que havia fugido da realidade, ri mais, não pude segurar, ela
começou a rir também, disse que estava interpretando, ainda bem, pois achava que ela estava
drogada mesmo.
Não demorou muito até percebermos que
estávamos perdidas, foi quando a graça deu lugar ao desespero. Não sei se era
coisa da minha imaginação, mas ouvi vozes sussurrando,
começamos a correr. O dia estava lindo e quando começamos a correr nem ligamos
pro fato de estarmos perdidas e começamos a apostar corrida, até que eu tropecei
numa pedra e cai de cabeça no chão, onde havia uma poça d'água, a água era
amarela e tinha um odor terrível, parecia que era urina, levantei no mesmo
instante morrendo de nojo e gritei que aquilo era xixi e ouvimos uma voz
estranha dizendo que era pra eu lavar o rosto imediatamente, senão, em dois
dias, ele ficaria todo enrugado, a Karol, pra tirar uma onda com minha cara,
disse que quem diria que xixi dava rugas e me chamou de vovó, entrei na
brincadeira e comecei a imitar uma idosa.
Andamos um pouco até acharmos uma
caixa de água, a água parecia estar suja, mas fazer o quê, já tava perdida, o
pior que poderia acontecer agora era virar vovó. Lavei o rosto, mas o odor do
suposto "xixi" não havia saído do meu cabelo. Saímos correndo, quando
encontramos um garoto estranho, ele apareceu na nossa frente de repente e
tomamos o maior susto, o rosto dele estava todo enrugado e cheio de cicatrizes,
ele disse oi, nós respondemos assustadas eloquentementente "Oii". Ele
disse pra não termos medo, se aproximou e estendeu a mão, se apresentando,
disse que seu nome era Odinal e estava preso ali há anos, ele perguntou a nós
se estávamos presas também, respondemos que estávamos apenas
perdidas, ele riu e disse com um sarcástico prazer "ah, novatas", nos entreolhamos,
encarei pra ele e disse que não somos novatas, só estávamos perdidas por lá e
logo iremos embora, ele sorriu e disse que apreciava nossa esperança e
persistência. Saquei a batalha verbal que ele havia proposto, entrei na onda e
respondi que a esperança é a última que
morre, ele encarou e respondeu que ele não estava disposto a uma discussão,
que poderia nos ajudar, mas preferia não se intrometer com pessoas resmungonas.
Resmungona, eu? Isso foi um insulto, ele começou a andar pra trás e gritei pra
esperar, ele voltou, dissemos que precisamos sair de lá e queríamos ajuda, ele
disse que tudo bem e ficou olhando pra gente como se fôssemos retardadas,
perguntei o que deveríamos fazer agora, ele disse pra ajoelharmos e rezarmos,
fiquei brava e comecei a reclamar, disse que ele não poderia nos ajudar nada, e
o xinguei de cretino e tudo que foi nome, ele continua nos olhando e, como se tivessse lendo minha mente, perguntou se eu estava desafiando ele, disse que sim,
que ele não sabia mesmo sair daquele lugar, ele disse pra eu me acalmar, gritei
e disse pra ele nos ajudar a sair daquele lugar logo, pois não agüentava mais, ele
disse para seguirmos ele, desconfiei, mas não tinha pra onde ir nem o que
fazer, então seguimos.
Ele nos levou até um quarto e disse
para pularmos da janela, olhamos a janela e a altura era demais, reclamei de
novo, dei a louca, disse que se pularmos dalí, iríamos morrer, que tinha xixi
no meu cabelo, um calo no meio da testa e tinha lavado o rosto com água suja, ele disse calmamente que a água da caixa vinha do esgoto e vários
animais faziam suas necessidades ali, o encarei com raiva e ele disse pra olhar
pra cara dele, cheia de rugas, ele também havia tropeçado naquela pedra e caído
de cabeça na poça, e o que tinha ali não era xixi e sim uma poção mágica que
foi derramada por uma feiticeira que morava lá, quem pisasse na pedra estava
condenado a virar manco e quem caísse de cabeça na poção ficaria co rugas. As
rugas e o pé manco eram da própria feiticeira, ele explicou. Me senti mau e me desculpei, ele disse que tudo bem, que já estava
acostumado com esse tipo de tratamento, e disse para pularmos logo e não
olharmos para trás, "Ao alto e avante!", respirei fundo, fechei os olhos e pulei, Karol pulou em
seguida.
Abri os olhos devagar e vi Karol do
meu lado, estávamos inteiras, não morremos e comemoramos. Até que nos lembramos
do Odinal, a Karol disse para subirmos e tentar salvá-lo concordei. Estávamos
subindo o prédio, quando ouvimos umas risadas
horríveis, ficamos com medo, não estávamos nem na metade do prédio e pulamos de
novo, quando chegamos ao chão, aparece minha vizinha novamente com o macaquinho
dela, ela nos parabeniza e diz para corremos, não tinha entendido e perguntei
por que ela estava nos parabenizando, ela só gritou para corrermos e sumiu da
nossa frente estranhamente. Não pensamos muito e começamos a correr, "Ao
alto e avante!", gritamos.
É cada louco que nos aparece, não é?

escrito por: Juliana Santos Alves




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